TJSP inicia prazo para autodeclaração de pessoa negra para o 6º Enam e validação da autodeclaração de pessoa negra, condição de pessoa indígena e quilombola para o 4º Enac

Solicitação para exames nacionais vai até 24 de setembro.

O Tribunal de Justiça de São Paulo iniciou o prazo para que candidatos do 6º Exame Nacional da Magistratura (6º Enam) solicitem a validação da autodeclaração como pessoa negra (preta ou parda), nos termos do Edital nº 2/26. Já para o Exame Nacional dos Cartórios (4º Enac), a solicitação poderá ser feita para validação da condição de pessoa negra (preta ou parda) e de pessoa indígena ou quilombola, observadas as Resoluções CNJ nº 203/15541/23 e 696/26. As solicitações podem ser feitas até o dia 24 de setembro, exclusivamente por formulário online – acesse aqui. Candidatos que realizarão os dois exames deverão preencher uma única vez.

O preenchimento com dados pessoais habilitará o acesso à pasta para juntada dos documentos necessários à análise da solicitação de validação: documento pessoal; comprovante de residência no estado de São Paulo; autodeclaração preenchida e assinada; foto digitalizada ou tirada em aparelho celular, em ambiente com boa iluminação, colorida, com cabelos soltos, sem utilização de maquiagem ou filtro solar com cor, sem adereço e com destaque do rosto ao ombro (apenas para pessoas pretas ou pardas); Registro Administrativo de Nascimento de Indígena (Rani) ou declaração de pertencimento étnico assinada por liderança reconhecida da comunidade (apenas para pessoas indígenas); Certidão de Autorreconhecimento emitida pela Fundação Cultural Palmares ou declaração de pertencimento étnico assinada por liderança reconhecida da comunidade (apenas para pessoas quilombolas). Mais informações no Edital Enam nº 2/26 e Edital Enac nº 3/26.

A solicitação será avaliada pela Comissão de Heteroidentificação e a lista com as autodeclarações deferidas será publicada até 30 de outubro. O documento de comprovação de aferição da autodeclaração da condição de pessoa negra é válido por quatro anos. Eventuais recursos deverão ser submetidos entre 22 e 25 de outubro. Os editais Enam e Enac trazem mais informações sobre critérios de avaliação e procedimentos para recursos.

Acesse a página de concursos do TJSP para mais informações sobre o certame.

        

Comissões

Conforme a Portaria n° 10.743/26, a Comissão de Heteroidentificação é presidida pelo desembargador Luiz Guilherme da Costa Wagner Junior. Também integram a Comissão, como titulares, os juízes Jarbas Luiz dos Santos, Ricardo Felício Scaff e Lívia Antunes Caetano; e o reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares, José Vicente. São suplentes os juízes Joanna Terra Sampaio dos Santos, Juliana Silva Freitas e Wilson Henrique Santos Gomes e o assistente social judiciário Axel Gregoris de Lima.

A Comissão Recursal de Heteroidentificação é presidida pelo desembargador Luís Fernando Nishi e composta por dois titulares, juízes Joacy Dias Furtado e Hallana Duarte Miranda. São suplentes a juíza Gabriela da Conceição Rodrigues e assistente social judiciária Germanne Patricia Nogueira Bezerra Rodrigues Mattos.

        

Enam – Instituído pela Resolução CNJ nº 531/23 e organizado pela Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam), o Exame Nacional da Magistratura consiste em prova objetiva, apenas de caráter eliminatório, cuja aprovação é um dos pré-requisitos para candidatos que desejam ingressar na Magistratura através de concursos públicos, em qualquer ramo do Poder Judiciário nacional (exceto editais publicados antes da resolução). A 6ª edição do Enam está prevista para o dia 29 de novembro – acesse o edital do certame para mais detalhes.

Enac – Normatizado pela Resolução CNJ nº 575/24, o Exame Nacional dos Cartórios consiste em prova objetiva, apenas de caráter eliminatório, cuja aprovação é um dos pré-requisitos para a inscrição nos concursos para os serviços notariais e de registro (exceto editais publicados antes da resolução). A prova está prevista para ser aplicada em 22 de novembro. Acesse o edital.

Ambos os editais estabelecem que candidatos autodeclarados pretos ou pardos serão aprovados nos exames com ao menos 50% de acertos.

Comunicação Social TJSP – AA (texto) / MS (arte)

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Fonte: TJ/SP

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CSM/SP: Apelação – Registro de imóveis – Dúvida registrária – Carta de adjudicação decorrente de desapropriação – Aquisição originária da propriedade – Dispensa de apresentação de matrícula ou transcrição anterior –  Possibilidade de abertura de matrícula com base em planta e memorial descritivo – Atendimento ao princípio da especialidade objetiva – Isenção de emolumentos – Desapropriação promovida por concessionária de serviço público em favor do DER-SP – Atuação por delegação legal – Aplicação do art. 8º, parágrafo único, da Lei Estadual n.º 11.331/02; art. 31, VI, da Lei n.º 8.987/95 e arts. 195 e 176-A da Lei n.º 6.015/73 – Recurso provido.

Apelação n° 1003618-59.2024.8.26.0271

Espécie: APELAÇÃO
Número: 1003618-59.2024.8.26.0271
Comarca: ITAPEVI

PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

CONSELHO SUPERIOR DA MAGISTRATURA

Apelação n° 1003618-59.2024.8.26.0271

Registro n°: 2026.0000872798

ACÓRDÃO

  Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelação Cível nº 1003618-59.2024.8.26.0271, da Comarca de Itapevi, em que é apelante CONCESSIONARIA DE RODOVIAS DO OESTE DE SAO PAULO VIAOESTE S/A, é apelado OFICIAL DE REGISTRO DE IMÓVEIS E ANEXOS DA COMARCA DE ITAPEVI.

ACORDAM, em Conselho Superior da Magistratura do Tribunal de Justiça de São Paulo, proferir a seguinte decisão: “Deram provimento ao recurso, v.u.”, de conformidade com o voto do Relator, que integra este acórdão.

O julgamento teve a participação dos Exmos. Desembargadores FRANCISCO EDUARDO LOUREIRO (PRESIDENTE TRIBUNAL DE JUSTIÇA) (Presidente), LUÍS FRANCISCO AGUILAR CORTEZ (VICE PRESIDENTE), DAMIÃO COGAN (DECANO), ROBERTO MAC CRACKEN (PRES. SEÇÃO DE D. PRIVADO), LUCIANA BRESCIANI (PRES. SEÇÃO DE DIREITO PÚBLICO) E ROBERTO SOLIMENE (PRES. SEÇÃO DE DIREITO CRIMINAL).

São Paulo, 1º de setembro de 2026.

SILVIA ROCHA

Corregedora Geral da Justiça e Relatora

APELAÇÃO CÍVEL nº 1003618-59.2024.8.26.0271

Apelante: Concessionaria de Rodovias do Oeste de Sao Paulo Viaoeste S/A

Apelado: Oficial de Registro de Imóveis e Anexos da Comarca de Itapevi

VOTO Nº 39.895

Apelação – Registro de imóveis – Dúvida registrária – Carta de adjudicação decorrente de desapropriação – Aquisição originária da propriedade – Dispensa de apresentação de matrícula ou transcrição anterior –  Possibilidade de abertura de matrícula com base em planta e memorial descritivo – Atendimento ao princípio da especialidade objetiva – Isenção de emolumentos – Desapropriação promovida por concessionária de serviço público em favor do DER-SP – Atuação por delegação legal – Aplicação do art. 8º, parágrafo único, da Lei Estadual n.º 11.331/02; art. 31, VI, da Lei n.º 8.987/95 e arts. 195 e 176-A da Lei n.º 6.015/73 – Recurso provido.

Trata-se de recurso de apelação interposto pela Concessionária de Rodovias do Oeste de São Paulo S.A. (VIA OESTE) contra a r. sentença de fls. 101/105, que julgou procedente a dúvida suscitada pelo Oficial de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos e Registro Civil de Pessoas Jurídicas de Itapevi, mantendo a recusa ao ingresso de carta de adjudicação extraída dos autos de ação de desapropriação n.º 0006062-10.2009.8.26.0271, que tramitou perante a 2ª Vara Cível de Itapevi.

Aduz a apelante, em suma, que a desapropriação constitui forma originária de aquisição da propriedade, dispensando a identificação de registro anterior, a permitir a abertura de matrícula com base em planta e memorial descritivo. Afirma que, no caso concreto, é impossível identificar a matrícula da área, circunstância que não impede o registro, sobretudo diante do interesse público e da já consolidada incorporação do imóvel ao sistema rodoviário. No mais, sustenta serem indevidos emolumentos porque o bem foi adjudicado em favor do DER-SP, autarquia estadual beneficiária de isenção legal (fls. 126/134).

A D. Procuradoria Geral de Justiça opinou pelo não provimento do recurso (fls. 157/161).

É o relatório.

Pela carta de adjudicação expedida nos autos do processo n.º 0006062-10.2009.8.26.0271 foi desapropriado o imóvel situado na Rodovia Nelson Tranchesi, Km 32+950m, n.º 550, na Comarca de Itapevi, por meio de acordo homologado por sentença, transitada em julgado em 15 de setembro de 2010.

Contudo, o título apresentado a registro pela apelante foi negativamente qualificado pelo Sr. Oficial Registrador, que apresentou as seguintes exigências (fls. 13):

“- Trazer certidão atualizada da matrícula/transcrição do imóvel objeto da desapropriação. A cópia da certidão de fls. 010 não comprova a propriedade do imóvel. Trata-se apenas de certidão negativa tirada em nome de Idalina.

– Anexar certidão do valor venal atualizado do imóvel.

– O valor das custas e emolumentos está condicionado a apresentação da certidão de valor venal.”.

O caso é de se dar provimento à apelação.

A hipótese é de aquisição originária da propriedade, cuja eficácia prescinde de qualquer vinculação com a cadeia dominial precedente. Não há, nesse caso, transmissão de direito entre titulares sucessivos, mas instituição de nova titularidade por força da lei e da decisão judicial, o que afasta a incidência do princípio da continuidade previsto no art. 195 da Lei n.º 6.015/73.

Consoante dispõe o artigo 176-A, da Lei n.º 6.015/73:

“O registro de aquisição originária ensejará a abertura de matrícula relativa ao imóvel adquirido, se não houver, ou quando:

(…)

§ 1º. A matrícula será aberta com base em planta e memorial descritivo do imóvel utilizados na instrução do procedimento administrativo ou judicial que ensejou a aquisição” (Redação dada pela Lei nº 14.620, de 2023).

No ponto, explica Narciso Orlandi Neto (Registro de Imóveis, Rio de Janeiro: Forense, 2023, p. 82; grifou-se):

“Nos modos originários de aquisição da propriedade (desapropriação judicial ou amigável, usucapião), a abertura de matrícula segue as regras do art. 176-A da Lei 6.015/1973. Quando o imóvel adquirido coincide com o da matrícula, o título pode ser registrado na mesma matrícula. Se for maior ou menor, desfalcando total ou parcialmente duas ou mais matrículas, será aberta nova matrícula, com as averbações necessárias para controle de disponibilidade dos imóveis desfalcados. A matrícula também será aberta, evidentemente, se o imóvel não tiver registro, ou se o registro não for encontrado.

Quando for necessário, a matrícula será aberta com base na planta e memorial descritivo que devem integrar o título judicial (carta de adjudicação da desapropriação, ou carta de sentença da usucapião), ou extrajudicial (escritura ou termo administrativo, ou decisão do oficial no processo extrajudicial de reconhecimento da usucapião). Não há registro anterior. Portanto, o título formal deverá conter a adequada especialização do imóvel, o título causal e a qualificação completa do adquirente.”

No caso concreto, foram apresentados memorial descritivo e planta integrantes do título judicial (fls. 75/78), sendo possível a abertura de matrícula em favor da autarquia beneficiária, uma vez observado o princípio da especialidade objetiva, com adequada individualização do imóvel, em conformidade com a segurança jurídica e a lógica do sistema registral.

Ultrapassado este ponto, o segundo óbice também não merece subsistir.

Nos termos do art. 8º, parágrafo único, da Lei Estadual n.º 11.331/02, o Estado de São Paulo e suas autarquias são isentos do pagamento de emolumentos.

Por sua vez, a Lei n.º 8.987/95, ao disciplinar o regime de concessões, estabelece que incumbe à concessionária promover desapropriações autorizadas pelo poder concedente (art. 31, VI), o que evidencia que sua atuação se dá em substituição operacional ao ente público, e não em defesa de interesse próprio.

Em outras palavras, a concessionária, por força de lei e contrato, está incumbida da defesa de interesse do poder concedente (DER) desde o ajuizamento da ação de desapropriação até os atos de ultimação subsequentes.

In casu, a apelante figurou no polo ativo de ação de desapropriação atuando no desempenho da concessão de serviço público que lhe foi outorgada. Fê-lo não em defesa do próprio patrimônio, mas no do poder concedente, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), autarquia estadual, ao qual o bem expropriado deve ser incorporado.

Nesse passo, conquanto apresentado pela concessionária, o título consubstancia às inteiras o interesse da autarquia, em favor de quem será registrado o domínio do imóvel.

O mesmo entendimento já restou firmado, recentemente, pelo Conselho Superior da Magistratura, na Apelação Cível n.º 1013075-04.2024.8.26.0114, de minha relatoria.

E a circunstância da recorrente figurar formalmente no polo ativo do processo expropriatório ou de apresentar o título a registro não altera a substância do ato, que permanece integralmente vinculado ao interesse e ao patrimônio do ente público.

Em suma, se o ato registral visa formalizar aquisição dominial em favor de pessoa jurídica isenta, não há fundamento jurídico para exigir emolumentos em razão de mera intermediação operacional por parte da concessionária.

Assim, é desnecessária a apresentação de certidão de valor venal do imóvel para cálculo de emolumentos.

Ante o exposto, dou provimento à apelação para julgar improcedente a dúvida.

SILVIA ROCHA

Corregedora Geral da Justiça e Relatora (TJSP de 11.09.2026 – SP)


Fonte: TJ/SP

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CGJ/SP: COMUNICADO CG Nº 735/2026- Ofício Circular nº 196/2026/SG- Recomendação de vedação ao registro de casamentos e uniões estáveis envolvendo crianças e adolescentes.

COMUNICADO CG Nº 735/2026

Espécie: COMUNICADO
Número: 735/2026
Comarca: CAPITAL

COMUNICADO CG Nº 735/2026

AUTOS SEI Nº 2026/8.26.000008875.5 – SÃO PAULO – CORREGEDORIA-GERAL DA JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO.

A CORREGEDORIA-GERAL DA JUSTIÇA divulga o Ofício Circular nº 196/2026/SG, para conhecimento geral.

Poder Judiciário Conselho Nacional de Justiça

Ofício Circular nº 196/2026/SG

Brasília, data da assinatura eletrônica.

A Sua Excelência o Senhor Desembargador Francisco Eduardo Loureiro Presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo São Paulo – SP

Assunto: Recomendação de vedação ao registro de casamentos e uniões estáveis envolvendo crianças e adolescentes. Encaminhamento de levantamento MDHC.

Senhor Presidente,

Dirigimo-nos a Vossa Excelência para encaminhar, em anexo, o levantamento apresentado pela Secretaria-Executiva do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, a partir de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontam registros de uniões estáveis e casamentos envolvendo pessoas com idade entre 10 e 14 anos em serventias extrajudiciais brasileiras.

Diante da gravidade do panorama apresentado e considerando a expressa vedação legal disciplinada pelo artigo 1.520 do Código Civil, com a redação conferida pela Lei nº 13.811/2019, que não permite o casamento em qualquer hipótese de quem ainda não alcançou a idade núbil de dezesseis anos, mostra-se indispensável a atuação coordenada do Poder Judiciário em defesa da proteção integral de crianças e adolescentes garantida pela Constituição da República e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.

Nesse contexto, solicitamos a esse Tribunal de Justiça que, por meio de sua Presidência e respectiva Corregedoria-Geral da Justiça, adote as providências administrativas e orientações cabíveis no sentido de recomendar a todos os cartórios de registro civil sob sua fiscalização a observância da legislação vigente, abstendo-se de realizar habilitações, celebrações ou registros de casamentos infantis ou uniões envolvendo menores de dezesseis anos, além de fiscalizar com rigor o cumprimento dos deveres funcionais das serventias.

Com a certeza de que essa Corte compartilha o compromisso intransigente com a salvaguarda dos direitos fundamentais da infância, renovamos a Vossa Excelência os protestos de elevada consideração e estima.

Atenciosamente,

Conselheiro Fabio Francisco Esteves – Supervisor da Política Judiciária Nacional para a Primeira Infância

Juíza Clara Mota – Secretária-Geral (DEJESP de 11.09.2026 – SP)


Fonte: DEJESP

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