PROVIMENTO CNJ Nº 52/2016 – DISPÕE SOBRE O REGISTRO DE NASCIMENTO E EMISSÃO DA RESPECTIVA CERTIDÃO DOS FILHOS HAVIDOS POR REPRODUÇÃO ASSISTIDA




A partir desta terça-feira (15/3) está mais simples registrar crianças geradas por técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro e a gestação por substituição, mais conhecida como “barriga de aluguel”. A Corregedoria Nacional de Justiça publicou o Provimento n. 52, de 14 de março de 2016, que regulamenta a emissão de certidão de nascimento dos filhos cujos pais optaram por essa modalidade de reprodução.

Até então, esse registro só era feito por meio de decisão judicial, já que não havia regras específicas para esses tipos de casos. “A medida dá proteção legal a uma parcela da população que não tinha assegurado o direito mais básico de um cidadão, que é a certidão de nascimento”, afirmou a corregedora nacional de Justiça, ministra Nancy Andrighi.

Se os pais, heteroafetivos ou homoafetivos, forem casados ou conviverem em união estável, apenas um deles poderá comparecer ao cartório para fazer o registro. Na certidão dos filhos de homoafetivos, o documento deverá ser adequado para que seus nomes constem sem distinção quanto à ascendência paterna ou materna.

Nome no registro – Outra novidade é que nos casos de gestação por substituição não mais constará do registro o nome da gestante informado na Declaração de Nascido Vivo (DNV). Além disso, o conhecimento da ascendência biológica não importará no reconhecimento de vínculo de parentesco entre o doador ou doadora e a pessoa gerada por meio de reprodução assistida.

A ministra Nancy Andrighi também determinou que os oficiais registradores estão proibidos de se recusar a registrar as crianças geradas por reprodução assistida, sejam filhos de heterossexuais ou de homoafetivos. Se houver recusa do cartório, os oficiais poderão responder processo disciplinar perante à Corregedoria dos Tribunais de Justiça nos estados.

Leia a íntegra do Provimento n. 52, publicado ad referendum do Plenário do Conselho Nacional de Justiça:

Corregedora Nacional de Justiça, Ministra Nancy Andrighi, no uso de suas atribuições legais e constitucionais,

Considerando o previsto no art. 227, § 6º, da Constituição Federal, e no art. 1.609 do Código Civil;

Considerando as disposições do Provimento nº 13/2010 da Corregedoria Nacional de Justiça, bem como da Resolução nº 175/2013 deste Conselho;

Considerando o acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal, em 05.05.2011, no julgamento conjunto da ADPF nº 132/RJ e da ADI nº 4277/DF, em que foi reconhecida a união contínua, pública e duradoura entre pessoas do mesmo sexo como família, com eficácia erga omnes e efeito vinculante para toda a Administração Pública e os demais órgãos do Poder Judiciário;

Considerando o acórdão proferido pela Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça, em 25/10/2011, no julgamento do REsp 1.183.378/RS, que garantiu às pessoas do mesmo sexo o direito ao casamento civil;

Considerando a Resolução nº 2.121/2015, do Conselho Federal de Medicina, que estabelece as normas éticas para o u so de técnicas de reprodução assistida, tornando-a o dispositivo deontológico a ser seguido por todos os médicos brasileiros;

Considerando a necessidade de uniformização em todo território nacional do registro de nascimento e da emissão da respectiva certidão para os filhos havidos por técnica de reprodução assistida, de casais heteroafetivos e homoafetivos.

Resolve:

Art. 1º O assento de nascimento dos filhos havidos por técnicas de reprodução assistida, será inscrito no livro “A”, independentemente de prévia autorização judicial e observada a legislação em vigor, no que for pertinente, mediante o comparecimento de ambos os pais, seja o casal heteroafetivo ou homoafetivo, munidos da documentação exigida por este provimento.

§ 1º Se os pais forem casados ou conviverem em união estável, poderá somente um deles comparecer no ato de registro, desde que apresentado o termo referido no art. 2º, § 1º, inciso III deste Provimento.

§ 2º Nas hipóteses de filhos de casais homoafetivos, o assento de nascimento deverá ser adequado para que constem os nomes dos ascendentes, sem haver qualquer distinção quanto à ascendência paterna ou materna.

Art. 2º É indispensável, para fins de registro e da emissão da certidão de nascimento, a apresentação dos seguintes documentos:

I – declaração de nascido vivo – DNV;
II – declaração, com firma reconhecida, do diretor técnico da clínica, centro ou serviço de reprodução humana em que foi realizada a reprodução assistida, indicando a técnica adotada, o nome do doador ou da doadora, com registro de seus dados clínicos de caráter geral e características fenotípicas, assim como o nome dos seus beneficiários;
III -certidão de casamento, certidão de conversão de união estável em casamento, escritura pública de união estável ou sentença em que foi reconhecida a união estável do casal.

§ 1º Nas hipóteses de doação voluntária de gametas ou de gestação por substituição, deverão ser também apresentados:
I – termo de consentimento prévio, por instrumento público, do doador ou doadora, autorizando, expressamente, que o registro de nascimento da criança a ser concebida se dê em nome de outrem;
II – termo de aprovação prévia, por instrumento público, do cônjuge ou de quem convive em união estável com o doador ou doadora, autorizando, expressamente, a realização do procedimento de reprodução assistida.
III – termo de consentimento, por instrumento público, do cônjuge ou do companheiro da beneficiária ou receptora da reprodução assistida, autorizando expressamente a realização do procedimento.

§ 2º Na hipótese de gestação por substituição, não constará do registro o nome da parturiente, informado na declaração de nascido vivo -DNV.

§ 3º Nas hipóteses de reprodução assistida post-mortem, além dos documentos elencados acima, conforme o caso, deverá ser apresentado termo de autorização prévia específica do falecido ou falecida para o uso do material biológico preservado, lavrado por instrumento público.

§ 4º O conhecimento da ascendência biológica não importará no reconhecimento de vínculo de parentesco e dos respectivos efeitos jurídicos entre o doador ou a doadora e o ser gerado por meio da reprodução assistida.

Art. 3º É vedada aos Oficiais Registradores a recusa ao registro de nascimento e emissão da respectiva certidão para os filhos havidos por técnicas de reprodução assistida, nos termos deste Provimento.

§ 1º A recusa prevista no caput deverá ser comunicada ao respectivo juiz corregedor para as providências disciplinares cabíveis.

§ 2º Todos os documentos referidos no art. 2º deste Provimento deverão permanecer arquivados em livro próprio do Cartório de Registro Civil.

Art. 4º Este Provimento entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 14 de março de 2016.

Ministra NANCY ANDRIGHI
Corregedora Nacional de Justiça

Fonte: Arpen – SP | 15/03/2016.

Publicação: Portal do RI (Registro de Imóveis) | O Portal das informações notariais, registrais e imobiliárias!

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8 Responses to “PROVIMENTO CNJ Nº 52/2016 – DISPÕE SOBRE O REGISTRO DE NASCIMENTO E EMISSÃO DA RESPECTIVA CERTIDÃO DOS FILHOS HAVIDOS POR REPRODUÇÃO ASSISTIDA”

  1. No caso eu recebi a doacao e tive um bb sem contato sexual como faco pra conseguir registrar a bb no nome das duas maes

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  2. Tenho uma dúvida. E quando a criança é fruto de um estupro e as mães decidem ter criar a criança, como fazer pra registrar, e se a estuprada não fez o b.o e não tem como provar?? O filho da minha esposa e eu já está com 4 meses ela não fez o b o mas resolvemos te-lo quero colocar meu nome na certidão dele mas o cartório não deixou disse que tenho que ter um mandado judicial, que só assim acrescentaram meu nome!

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  3. Meu filho é fruto de uma inseminação caseira e no dia do registro, apesar de ter a documentação de união estável com minha esposa a criança foi registrada apenas em meu nome (como mãe solteira). Minha esposa e eu casamos oficialmente após 3 meses do nascimento/registro de nosso filho e voltei ao cartório para solicitar a inclusão do nome dela, novamente nos negaram. Informaram que eu deveria entra com uma ação de doação unilateral, mas essa ação é para o pai que abre mão do registro. Mas nesse caso, com pai desconhecido, a ação é de DUPLA MATERNIDADE. Lamento profundamente ter que entrar com uma ação judicial (que eu sei que vai demorar) por um direito claro e de fato uma fez que somos casadas oficialmente. Ressalto que se fosse um casal hétero bastaria apenas a declaração da mãe a apontar o pai, que nem presente precisaria estar, para que o nome dele seja inserido ou se já houver o registro incluído, sem necessidade de comprovação de união estável, casamento, ação ou qualquer outro tipo de burocracia. Ainda temos um longo caminho a percorrer, cheio de obstáculos burocráticos, mas não devemos desanimar e sim sempre seguir em frente, lembrando que onde há amor já há vitória.

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    • Bianca vou passar pelo mesmo processo que você,E tenho medo desse transtorno que é para o registro. Infelizmente vivemos num país homofobico e burocrático. Gostaria muito de saber se você conseguiu o registro… pois pelo o que eu pesquisei só é possível o registro com fertilização in vitro e tendo óvulo de uma mãe e sendo gerado pela outra…

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    • Olá Míriam! De acordo com o provimento n. 52/16, do CNJ, o nome da parturiente, portanto, da mulher que cedeu o útero, não deve constar da DNV. Art. 2o., parágrafo 2o.) Assim, deveria ser incluído o nome da pessoa que pediu a ela para gerar a criança, isto é, em geral, mas não necessariamente, a doadora do óvulo.

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  4. Ilvânia Costa

    Estou pensando em fazer implantes de Embriões, só que sou solteira, gostaria de saber se terei algum problema pra registrar meu bebê?

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  5. Valdinete Silva

    Eu e minha esposa fizemos a inseminação caseira, e sei como será burocrático o sistema para o registro civil. Sabem me informar como proceder nesses casos? . Desde já agradeço pela atenção.

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